Ganhei coragem, então e agora?

Ora bem, deste o grande passo, e agora?

Agora é encher o peito, erguer a cabeça e seguir em frente.

Se tiverem uma família conservadora como a minha estão bem tramados.

No meu caso, fui eu que pedi o divorcio, agora imaginem o drama. 
A minha mãe dizia para que eu tentasse, que devia pensar na minha filha, usou todos os argumentos possíveis e imaginários, estava notoriamente magoada comigo e isso deixava-me triste.

Deixava-me triste pensar que a estava a desiludir, deixava-me imensamente triste pensar que aquele sonho que a maioria das mães têm de ver os filhos casados e felizes tinha ido por água abaixo.

A única coisa que posso garantir à minha mãe é a parte do "e foi feliz para sempre", pelo menos tento isso todos os dias com muita convicção.

Por outro lado tens os amigos que tomam partido, os amigos que simplesmente se afastam porque não querem tomar partido, os amigos que têm sempre uma opinião e ainda vão aparecer aqueles amigos desaparecidos que ao saberem que estás separada também vão aparecer para tentar a sua sorte e já agora, dar também eles a sua opinião.

E vai ser aqui que vão sentir-se confusos, nesta fase têm de ser inteligentes e ponderados, podem e devem escuta-los, mas é imperativo fazer uma triagem da informação, pois nenhum deles está viver a vossa vida.

Agora vamos ser práticos:

  • És tu que vais sair de casa?
  • É a outra pessoa que vai sair de casa?
  • Têm filhos?
  • Como pretendem regular o poder parental?
  • Têm bens em comum?
  • Como vão fazer essa divisão?

São nestes pontos que vais ter que te focar, a parte emocional ainda vai demorar algum tempo a ficar resolvida, por isso, trata das burocracias quanto antes, para poderes libertar-te desse problema.

E por norma é aqui que o drama começa, não existe acordo, tentam atrasar o processo da separação dificultando a parte burocrática. Não sejas essa pessoa.

Por mais difícil que seja, tentem conversar e chegar a um acordo, sei que por vezes é difícil ou impossível, mas havendo essa oportunidades, não a desperdices.

Em caso de serem casados, o divorcio só acontece quando estão resolvidos 3 pontos: Casa de família, bens comuns e regulação do poder parental no caso de existirem filhos.

O ponto mais importante de todos é a regulação do poder parental, sem duvida.
O ideal é que haja um acordo, seja ele qual for, se tiverem de acordo, basta preencher a minuta e ir ao registo civil para que seja enviado ao tribunal para aprovação por parte do Ministério Público.

Perguntam vocês a razão de dizer que este ponto é prioridade, fácil, porque qualquer um dos progenitores pode sair do país com a criança sem autorização prévia do outro progenitor no caso de não haver regulação e podem lá permanecer o tempo que quiserem, até que haja intervenção da justiça e isso pode demorar ANOS.  Para além disso, a criança tem direito a uma pensão de alimentos, excepto se viver com os progenitores de forma equitativa, ou seja, 50/50. Já para não falar que é necessário ter estipulado uma rotina para a criança, ela tem de saber onde vive e em que dias vai visitar o outro progenitor.

Pela minha experiência, o que acho que devem fazer:
  • Consulta um advogado, este ponto não quer necessariamente dizer que vão ter de seguir para um processo litigioso, mas é importante para perceberes os teus direitos e os teus deveres.
  • Vai às finanças e pede uma reavaliação do valor patrimonial da vossa casa.
  • Fala com o teu gestor de conta para perceberes se tens taxa de esforço suficiente para suportar sozinha o empréstimo ao banco da casa de família.
No meu caso, apesar de conseguir ficar com a casa e metade dos bens, optei por não querer nada, só queria acelerar o divorcio, mas hoje arrependo-me solenemente, se tivesse sido menos impulsiva e mais calma, tinha querido tudo o que tinha direito, não comentam o mesmo erro que eu.

Em relação à casa de família as opções que têm são:

  1. Vender a casa e dividir o lucro se ele existir;
  2. Alugar a casa e dividir o lucro se ele existir;
  3. Vender a tua parte da casa ao outro;
  4. Comprar a parte do outro;
  5. Passar a casa para o nome do outro, desvinculando-te do crédito.
Eu optei pelo ponto 5 porque era o mais rápido, tendo em conta que o outro podia suportar o crédito sozinho, ele pediu a reavaliação da casa, fomos ao banco assinar a documentação para que eu me desvinculasse, marcamos a nova escritura, escriturámos sobre o valor patrimonial da casa, eu não recebi nada, foi como se fosse vendido a custo zero (aposto que isto tem um nome técnico). Aqui é necessário pagar escritura, imposto de selo e IMT como se tivesse a comprar a casa pela primeira vez.

O que eu acho que NUNCA DEVE SER FEITO:

Continuar na mesma casa, sim, continuar na mesma casa que a pessoa de quem se decidiram separar é um erro.
Estão frágeis e a situação vai deteriorar-se com o tempo e vão desgastar-se. 
Continuar na mesma casa significa que a vida não anda para a frente, continuar na mesma casa é terem de respeitar, e bem, a individualidade de cada um e isso nem sempre é fácil.
Continuar na mesma casa, a maior parte das vezes implica dormir na mesma cama e é nessa altura que os sentimentos se confundem, onde há recaídas, que não são mais do que fruto da vossa fragilidade e quando essa magia do momento passar, vão arrepender-se de tê-lo feito.

Compreendo que nem sempre é fácil arranjar logo para onde ir, o mercado está péssimo, mas é urgente arranjar uma solução, mesmo que provisória, em casa de amigos ou familiares, para que haja de facto a separação física.

No caso de haver filhos, falo-vos da experiência que tenho: Eles adaptam-se!!

No post seguinte contarei um pouco da minha historia.

E vocês? Como fizeram quando tomaram essa decisão de separarem-se?

 






















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