Nasci com asas e a voar morrerei.... (parte 1)

Vesti um vestido cinza prata, não era o meu preferido, mas era dos poucos que me servia naquela altura e que me permitia amamentar a minha filha que na altura ainda não tinha 2 meses.

Era uma data especial, ia casar dois grandes amigos e o evento pedia algum glamour.

A meio do copo de água, decidi ir cantar no karaoke, pasmem-se, a divorciada já era divertida ainda antes da separação.

Acabo de cantar o "it´s oh so quiet" da Bjork e o meu ex marido,  que na altura ainda só era namorado, pega no microfone e começa a discursar.
Enumera todas as minhas qualidades, virtudes e atributos e quando dou conta está a pedir-me em casamento...
Foi um momento muito bonito, intenso e insólito tendo em conta que o rapaz para falar com uma só pessoa tem dificuldade, tal a sua timidez, quanto mais para as centenas que lá se encontravam, na maioria desconhecidas.

Óbvio que foi tudo motivado pelo vinho, esse demónio...

E pronto, a coisa deu-se e eu disse que SIM, houve lágrimas, beijos, palmas e ressaca no dia seguinte. (calma juventude....eu não bebi nada alcoólico...).

Vivíamos juntos há 7 anos, tínhamos construído um pequeno império, sendo o mais valioso, a nossa maravilhosa filha.

Passaram 3 anos desde que fui pedida em casamento e aceitei, mas não via jeito dele acontecer, até que fomos de ferias e ele disse que queria casar ali, naquele local, em Setembro, dali a 2 meses...

Em dois meses EU organizei tudo, estipulamos que seriam somente as pessoas do circulo mais intimo, 25 pessoas,o mesmo numero que o local conseguia alojar.

Confesso que nessa altura já não estávamos numa boa fase, eu era a mãe da criança, a pessoa que fazia com que a nossa vida fluísse, tudo corria na passada porque eu era a Mãe, a mãe da minha filha e dele.

Achei que o casamento ia dar algum salero à relação, que a partir dali ele me ia ver novamente como a tesuda por quem ele se apaixonou, que não diz não a nada, cheia de ganas de viver, mas isso não aconteceu...

Ao contrário do que eu estava à espera, o casamento serviu de berço à nossa relação.

Atingimos a fase de motel de beira de auto estrada da vida, onde encontramos um belo sofá, um sofá que nos primeiros tempos estranhamos, mas que com o passar do tempo, já está moldado a nós, torna-se confortável.

Só vos posso dizer uma coisa: era um conforto filha da puta!!!

Mas conforto não é sinónimo de felicidade, é favor não confundir.

Sexo nem vê-lo...Só lhe via o BradPinto quando saia do banho.

Já não tínhamos de provar nada um ao outro, vivíamos em tal conforto que pouco tínhamos que conversar, já sabíamos que tarefas haviam para ser feitas, dinheiro nunca nos faltou felizmente, ganhávamos os dois o mesmo, não dependíamos financeiramente um do outro,portanto, tudo fluía...

Ou tudo parecia fluir....

Esta divorciada que vos escreve, nasceu a saber que tem asas e que com elas pode voar sozinha e muito longe.

Apesar de ter tido uma educação muito rígida, uma das coisas que me ensinaram sempre foi, nunca depender de ninguém nem me deixar influenciar por terceiros. Parece um contra censo, porque eu segui esses conselhos e todos eles colidiam com os projectos de vida que os meus pais fizeram para mim.

E eu queria voar...queria que voar e não tinha ali uma pessoa para voar comigo, não tinha uma pessoa que me dissesse se estava gorda ou magra ou feia ou bonita, não tinha uma pessoa com garras e poder de decisão, estávamos a viver no morno, e eu preciso de fogo....Preciso de tudo isso que vocês estão a imaginar e que também precisam.

Foram feitas várias advertências, todas elas ignoradas, eu sou uma brincalhona e tudo o que digo soa a comédia, mas não é bem assim...

Como devem imaginar, o rapazote deixou uma porta aberta para que outra pessoa me cativasse e foi o que aconteceu...

Pedi o divorcio 3 meses depois de casar e ele, mais uma vez, achou que era gozo, então foi informado que a partir daquele momento eu ia fazer a minha vida, que não ia ficar prisioneira daquele casamento.

Continua no post seguinte....
















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